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Caso EUA-Venezuela e os preços das resinas

O mercado de matérias-primas para a indústria do plástico deve seguir, nos próximos meses, um cenário de estabilidade nos preços, com volatilidade moderada, mesmo diante das incertezas geopolíticas no cenário internacional. Segundo André Castro, consultor de Matérias-Primas do Sinplast-RS, as tensões envolvendo Estados Unidos e Venezuela, embora gerem atenção do mercado, não configuram risco de ruptura no abastecimento global de petróleo. “O cenário envolvendo a Venezuela não aponta para redução de oferta. Ao contrário, a entrada de mais petróleo no mercado tende a exercer pressão de queda sobre os preços, e não de alta”, explica.

De acordo com o consultor, a tendência predominante segue sendo de lateralidade
nos preços das resinas, especialmente de polipropileno (PP) e polietileno (PE), sustentada pela sobreoferta global, pela capacidade produtiva excedente e por uma demanda que permanece abaixo do esperado.

Oscilações pontuais, segundo ele, podem ocorrer em função do aumento dos custos de energia no hemisfério norte com a chegada do inverno, de restrições logísticas temporárias, de movimentos defensivos de margem e de fatores comerciais, como tarifas antidumping. No entanto, a ausência de um movimento mais intenso de compras da China antes do Ano Novo Chinês reforça a expectativa de demanda mais fraca no curto prazo, o que tende a pressionar a curva de preços.

Diante desse contexto, a avaliação é de que não há um cenário crítico para os preços das matérias-primas nos próximos meses, salvo na ocorrência de fatores externos extraordinários, como agravamento de conflitos regionais, eventos climáticos extremos ou choques logísticos relevantes.