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Revisão da cesta de moedas do FMI pode incluir real

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai divulgar até o final deste mês os critérios para a inclusão de novas moedas na cesta que compõe os Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês), antecipou uma alta fonte do fundo à Agência Estado. Esse é o primeiro passo para que moedas de países como o Brasil e a China façam parte da cesta do SDR, hoje privilégio apenas de Estados Unidos, Japão, zona do euro e Reino Unido.

“Existe já há algum tempo uma expectativa de que a cesta precisa ser ampliada em algum momento, e as moedas de países emergentes seriam as candidatas mais lógicas a serem incluídas na nova cesta”, disse a fonte. “A publicação dos critérios não visa a descartar ou automaticamente incluir essa ou aquela moeda, mas esclarecer os requisitos que uma moeda terá de atender para a sua inclusão.”

O SDR é o ativo de reserva internacional emitido pelo FMI e que foi criado em 1969 para suplementar as reservas oficiais dos países membros e cujo valor reflete uma cesta de moedas composta hoje apenas pelo dólar americano, o iene, a libra esterlina e o euro. Na prática, o SDR é a moeda do FMI. Na cotação de ontem, cada SDR correspondia a US$ 1,56757.

Com a participação cada vez maior de países emergentes no crescimento da economia mundial, como a China e o Brasil, vem aumentando a pressão para que a cesta do SDR seja ampliada e seu valor reflita também a variação de moedas como o yuan chinês e o real brasileiro. Contra a inclusão dessas moedas emergentes está a visão de alguns diretores do FMI de que ampliar a cesta para incluir moedas que não são totalmente conversíveis poderá reduzir a atratividade do SDR.

A cesta do SDR tem a sua composição revisada a cada cinco anos. A última revisão, que aconteceu em novembro do ano passado, manteve a composição com as quatro moedas, apenas alterando o peso delas na cesta. O dólar americano teve seu peso reduzido de 44% para 41,9%, enquanto a participação do euro subiu de 34% para 37,4%, a da libra esterlina passou de 11% para 11,3% e a do iene caiu de 11% para 9,4%. A próxima revisão da cesta do SDR, em tese, aconteceria apenas em 2015, mas essa revisão poderá ocorrer muito antes disso, segundo a fonte do FMI, com a publicação dos novos critérios de composição e a inclusão de novas moedas. “A diretoria do FMI poderá antecipar essa revisão da cesta, assim como fez com a questão das cotas.”

Segundo a avaliação da fonte, a publicação dos critérios para que novas moedas sejam incluídas é uma admissão de que a diretoria do FMI já pôs oficialmente em marcha as discussões para atender à demanda dos países emergentes. Os critérios atuais para a composição da cesta estão inalterados desde o ano de 2000. “Tem havido discussões há alguns anos no âmbito do G-20 e do FMI para ampliar a cesta do SDR, e esses critérios vão estabelecer como será o processo para essa ampliação”, disse a fonte. O anúncio a ser feito em breve não irá listar as moedas que comporão a cesta, mas apenas tornarão claros e explícitos os critérios para tanto, ressaltou a fonte. “Esses critérios darão forma à mecânica do processo pelo qual a decisão futura da diretoria do FMI será baseada”, explicou a fonte.

Na composição atual da cesta, limitada apenas àquelas quatro moedas, o FMI levou em conta apenas dois critérios: o valor das exportações de bens e serviços nos últimos 12 meses que antecederam a data da revisão e o valor das reservas internacionais denominadas naquelas moedas pelos outros países membros do FMI.

No ano passado, chegou-se a especular, antes da última revisão, que as chamadas moedas commodities, de países grandes exportadores de matérias-primas, seriam incluídas na cesta, em particular o dólar australiano, o dólar neozelandês e o dólar canadense. “Isso porque, até há pouco tempo, as discussões centravam apenas no quão grande, em termos de liquidez, teriam de ser essas moedas para inclusão na cesta, além de variáveis como a participação delas no comércio internacional e quão conversíveis elas teriam de ser”, explicou a fonte.

Além da revisão da cesta, está em curso ainda uma discussão sobre um novo papel que o SDR deveria desempenhar no sistema monetário internacional a exemplo da emissão de bônus pelo FMI denominados em SDR, disse a fonte. “Entre os tópicos, discute-se, por exemplo, se o SDR deveria ter uma participação maior nas reservas internacionais de cada país”, explicou.

Na última reunião do G-20 em Cannes, na França, vários governos de países emergentes discutiram a possibilidade de pedir ao FMI que emita mais SDR como forma de ajudar no socorro à zona do euro, injetando recursos na Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês). Especulou-se durante o encontro do G-20 que o FMI poderia emitir até US$ 250 bilhões e utilizar parte desse valor para fortalecer o EFSF, mas nada de oficial foi decidido a respeito até o momento.

fonte: Jornal do Comércio